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Artigo · 6 min

CPP-ACP (Recaldent) na pasta de dente: um aliado real do mineral — e um número que encolhe no caminho até a boca do seu filho

Início da manhã numa cozinha de casa: uma mulher de cabelo escuro na altura dos ombros, com um cardigã de tricô cor de aveia sobre uma blusa creme, ergue um copo de leite contra a luz da janela e o observa com atenção; a outra mão descansa numa bancada de madeira ao lado de uma jarrinha de esmalte branco, com uma chaleira, uma fruteira e plantas suavemente desfocadas ao fundo.

Você já fez isso. Está no corredor da farmácia com uma pasta de dente infantil na mão, vira a embalagem e procura a única palavra que diga que ela realmente faz alguma coisa. Em cada vez mais tubos essa palavra é Recaldent, ou o nome químico, CPP-ACP — e ao lado, às vezes, uma porcentagem: quanto de uma lesão inicial ela “repara”. A porcentagem é real. Alguém mediu. A pergunta que ninguém na prateleira responde é onde.

Este artigo inteiro é sobre isso. Não sobre se a molécula funciona — funciona, e um estudo com 2 720 adolescentes encontrou chance 18 % menor de a cárie piorar —, mas sobre onde ela estava quando funcionou. Porque o número muda toda vez que o teste chega um passo mais perto da boca de uma criança de verdade, e ele só anda numa direção.

O que é Recaldent (CPP-ACP)? Uma proteína do leite que segura o cálcio no lugar

CPP-ACP quer dizer fosfopeptídeo de caseína–fosfato de cálcio amorfo. A caseína é a principal proteína do leite. Quebrada em fragmentos — fosfopeptídeos —, ela agarra o cálcio e o fosfato e os mantém dissolvidos numa forma que, de outro modo, sairia da solução como giz inútil. Recaldent é o nome comercial desse complexo, desenvolvido por um grupo de pesquisa da Universidade de Melbourne liderado pelo bioquímico Eric Reynolds. A ideia é elegante: deixar uma reserva dos dois minerais de que o esmalte é feito bem na superfície do dente, para que, quando o ácido puxar mineral para fora, haja algo por perto para repor.

Degrau um: a placa de laboratório, onde o CPP-ACP parece quase uma cura

Em 1997, Reynolds colocou esmalte humano de dentes do siso com lesões iniciais, abaixo da superfície, em soluções de fosfato de cálcio estabilizado por CPP durante dez dias. A solução a 1,0 % repôs 63,9 % do mineral que as lesões tinham perdido. Numa placa, sem mais nada acontecendo, é um número espetacular — e é exatamente o tipo de número que acaba impresso numa caixa.

Degrau dois: chiclete em 2 720 adolescentes — real, e bem menor

Depois a molécula foi para dentro de bocas. Num estudo publicado em 2008, 2 720 adolescentes de 29 escolas mascaram chiclete sem açúcar três vezes ao dia, dez minutos de cada vez, por 24 meses. Metade dos chicletes levava 54 mg de CPP-ACP; a outra metade era idêntica, sem ele. Nas radiografias das superfícies entre os dentes, a chance de a cárie piorar foi 18 % menor no grupo CPP-ACP. É um efeito genuíno, num estudo grande, em crianças de verdade. É também um número de outro tipo, diferente de 63,9 % — não mineral reposto, mas a chance de uma lesão avançar —, e veio de chiclete mantido contra os dentes meia hora por dia, não de uma pasta. Mais um fato cabe na mesma frase: o inventor era um dos autores.

Degrau três: pasta de dente em 103 crianças pequenas — nenhuma diferença

Na Tailândia, 103 crianças de dois anos e meio a três anos e meio, todas com alto risco de cárie e todas escovando com pasta com flúor, receberam durante um ano, em cada dia de aula, depois do almoço, uma pasta de CPP-ACP a 10 % — ou um placebo. As lesões melhoraram nos dois grupos. Entre os grupos não houve diferença: a chance de uma lesão parar ou regredir ficou em 1,03 para um, cara ou coroa. Em 2018, um painel de especialistas da Associação Dentária Americana (ADA) revisou os estudos e emitiu uma recomendação condicional, com evidência de baixa certeza, contra o uso de CPP-ACP a 10 % para deter lesões iniciais onde houver flúor, selantes ou infiltração resinosa — e acrescentou que ele não deve ser usado como substituto do flúor.

Prancha construída: três pedestais de calcário que descem como degraus, cada um com o mesmo cristal leitoso de esmalte — grande no degrau de cima, ao lado de uma placa de laboratório de vidro, menor no do meio, minúsculo no de baixo; ao lado, as palavras “Uma molécula. O efeito encolhe.”, com 63,9 % do mineral perdido de volta na placa, chance 18 % menor de a cárie piorar com chiclete e nenhuma diferença com uma pasta para crianças pequenas; estudos 1997–2015.
A mesma molécula em três degraus: uma placa de laboratório, um chiclete, uma pasta para crianças pequenas. Em cada um, o efeito encolhe.

Repare no formato. Quanto mais o teste se aproxima de como você e seu filho de fato usam um produto — uma pasta, dois minutos, cuspida, por cima de tudo o que vocês já fazem —, menor fica o número. Uma placa não tem saliva, nem cuspe, nem flúor disputando o mesmo trabalho. O chiclete fica dez minutos na boca. A pasta vai embora no enxágue. Uma revisão de 2014 dos estudos de longo prazo disse sem rodeios: o CPP-ACP vence o placebo, não é significativamente diferente do flúor, e ainda não está claro se acrescenta algo além do flúor. O frágil não é a molécula. É o salto do primeiro degrau para o rótulo.

Pasta de dente infantil com CPP-ACP: três perguntas antes de comprar

Neste momento você está fazendo uma escolha sobre os dentes do seu filho com base numa única palavra numa caixa, pense nisso assim ou não. Três perguntas a tornam uma escolha informada. De qual degrau vem o número — placa, chiclete ou pasta? O CPP-ACP está ali no lugar do flúor ou junto com ele? Os painéis que pesaram as evidências o tratam como um acréscimo, nunca como substituto; então, se o dentista do seu filho receita flúor, essa decisão fica com o dentista. E alguém na casa tem alergia à proteína do leite? O CPP-ACP é feito de caseína, então uma alergia à proteína do leite o exclui por completo.

A nossa pasta de dente EVOLUTION kids traz na fórmula CPP-ACP (Recaldent) junto com Bacillus coagulans e xilitol, é sem flúor e sem SLS pela fórmula declarada e contém proteína do leite. Você não vai encontrar aqui uma porcentagem de remineralização para ela. Todo número desse tipo que existe vem da placa ou do chiclete, não desta pasta, e não vamos pegar emprestado um número de um degrau em que ela nunca foi medida.

Hoje à noite, vire o tubo e faça a única pergunta que o rótulo não responde: onde este número foi medido?

O CPP-ACP não é mito nem milagre. É uma molécula real cujo efeito encolhe a cada degrau, do laboratório até a boca do seu filho — então julgue-o pelo último degrau, não pelo primeiro.